sábado, 16 de abril de 2016

O Dia Seguinte - A queda de Dilma inviabiliza governo de Temer

Ministro do STF manda Cunha acolher pedido de impeachment contra Temer

O ministro Marco Aurélio do STF decidiu que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tem que aceitar o pedido de impeachment do vice-presidente Michel Temer e instalar uma comissão especial para analisar o processo, do mesmo jeito que foi feito com o pedido de afastamento da presidente Dilma Rousseff. 

 A liminar atende ao recurso do advogado Mariel Márley Marra, que pediu a abertura de impeachment contra Temer. Para o advogado, o vice-presidente teve conduta idêntica à da presidente Dilma. No exercício da presidência, assinou decretos abrindo créditos suplementares sem autorização do Congresso, o mesmo argumento usado por Eduardo Cunha para aceitar o pedido de afastamento da presidente.

No dia 5 de janeiro, Cunha arquivou o pedido do advogado por entender que não havia indício de crime. Em documento enviado segunda-feira (4) ao STF, a Câmara já tinha questionado a decisão de Marco Aurélio, argumentando que o Supremo não pode intervir no ato legislativo.

O pedido de impeachment contra Temer só não ganhou adesão de governistas porque os mesmos ainda defendem que o objeto de acusação no processo não é considerado crime de responsabilidade. Mas se esta tese for vencida por mais de um terço do parlamento, Michel Temer entra no olho do furacão. Além da pecha de traidor, conspirador e com índice de rejeição idêntico ao de Dilma, o futuro do sucessor será temerário. O PT entra para a oposição e vai exigir que "pau que bate em chico também bate em francisco." Os líderes do PSDB que estão na espreita também pode engrossar o coro e usar o pretexto da falta de legitimidade de Temer para pedir novas eleições. Sem Dilma, com Dilma, sem Temer, com Temer. O dia seguinte é um cenário obscuro e temeroso.

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